Resenha

Resenha #29: A Garota Que Você Deixou Para Trás – Jojo Moyes

Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória.

Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Jojo Moyes nos traz mais uma vez sua especialidade, romances açucarados, carregados de reviravoltas e dramas que dominam a trama. Claro que conhecemos personagens maravilhosos, que lutam por aquilo que consideram certo e vão até as últimas consequências.

Na primeira parte do livro acompanhamos a vida de Sophie, ela está morando em sua cidade natal com os irmãos e os sobrinhos, ela aguarda ali o retorno do marido Édouard, que está lutando na guerra. A cidade está tomada por alemães e todos resistem da maneira que podem.

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Sophie e a família vão levando a vida como podem, com pouco comida e sem notícias do que está acontecendo no mundo. Depois de muito relutar, Sophie é obrigada a servir o jantar do Kommandant e seus homens em seu humilde hotel; Ele a respeita e admira o quadro que Édouard pintou. Algo próximo a amizade se desenvolve entre Sophie e ele. Algo que a leva a acreditar que ele pode ajudá-la a se reencontrar com seu marido, mas que também pode colocar sua vida em risco e seu nome na lama.

O quadro pintado por Édouard, acaba, quase cem anos depois, nas mãos de Liv Halston. Ela se recupera da morte do marido, David, que deixou para ela uma casa vazia e o quadro de Sophie. Quando Liv está aprendendo a viver outra vez, sua vida tem uma reviravolta: Seu amado quadro é tido como artefato roubado da primeira guerra e a família exige que ele seja devolvido. Inicia-se então uma disputa judicial acirrada, que pode levar Liv a perder o pouco que lhe restou. 

Além da trama envolvente criada por Moyes, conhecemos duas mulheres encantadoras, capazes de lutar até o último suspiro por aquilo que acreditam ser correto.

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Filmes

Filme: Bright (2017)

Em um mundo futurista, seres humanos convivem em harmônia com seres fantásticos, como fadas e ogros. Mesmo nesse cenário infrações da lei acontecem e um policial humano (Will Smith) especializado em crimes mágicos é obrigado a trabalhar junto com um orc (Joel Edgerton) para evitar que uma poderosa arma caia nas mãos erradas.

Fonte: Wikipédia

O novo filme da Netflix não se resume a uma luta entre humanos, orcs e elfos para conviver em paz ou para dominar um território. O longa me surpreendeu porque poderia ser apenas mais uma história futurista, mas encontrei elementos e questões muito relevantes.

O que mais me chamou atenção foi a postura do personagem Walter (Will Smith), ele é um policial e seu parceiro é o orc Jakoby (Joel Edgerton). Walter não está feliz em ter um orc como parceiro, mas no momento não há nada que ele possa fazer. Walter é cercado por pessoas corruptas e a todo momento seu caráter é testado, a sociedade, o meio e seus colegas parecem querer empurrar o policial para o lado corrupto. É quase palpável o desconforto que ele sente quando colocado a prova.

Jakoby é o único policial orc que existe. Anos no passado ocorreu uma guerra (nada muito detalhado no filme), os orcs escolheram o lado errado e o Senhor da Escuridão foi derrotado graças a magia. Jakoby é testado a todo momento e paga o preço por seu povo ter escolhido o lado errado na guerra. Sendo discriminado e ridicularizado a todo momento.

A situação dos dois já é bem complicada devido ao meio, mas a situação fica pior quando eles encontram um artefato muito procurado, uma varinha que, segundo o dito popular, pode fazer qualquer coisa. Começa então uma perseguição em Los Angeles; Policiais corruptos querem a varinha, féericos querem a varinha, os gangsters querem a varinha, os orcs querem a varinha. Resumindo: Todos querem a varinha, exceto Walter e Jakoby.

Embora não queiram a varinha e saibam o quão perigoso é tê-la, os dois atravessam a noite para proteger a varinha e Tikka (Lucy Fry), a jovem elfa que estava com a varinha.

Quando a noite acaba, depois de muitos empecilhos, podemos enxergar que mesmo com todos os fatores indo contra você. É melhor se levantar e se agarrar aquilo que você acredita, mesmo que todos digam o contrário. Sina de herói? Talvez.

Poderia ser apenas um filme sobre magia, mas vai muito além. O título se refere a algo que brilha, algo luminoso, se você assistir ao filme ou mesmo ao trailer verá que a varinha brilha, mas para mim o título remete muito mais ao caráter dos personagens. Mais do que recomendado.

Segue o trailer:

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Writer To Writer

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Quotes para escritores ou para a vida.

GLOWOFELEGANCE.COM Twitter: GlowofElegance Pinterest: GlowingElegance Instagram: GlowofElegance
Não tema falhar. Tenha medo estar neste mesmo lugar no ano que vem. -Pinterest
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Nota para si mesmo: Você tem que fazer isso por você. Isso é para você. Isso não é sobre outra pessoa. Viva para si mesmo. Honre a si mesmo. Nunca perca isso de vista. -Pinterest
From "Journey on the Appalachian Trail"
“É impossível,” disse o orgulho. “É arriscado,” disse a experiência. “Não tem porque,” disse a razão. “Dê uma chance,” sussurrou o coração. (autor desconhecido). -Pinterest

 

Espero que você tenha um dia excepcional.

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Resenha

Resenha #28: O Cirurgião – Tess Gerritsen

Tess Gerritsen, neste livro assustador, narra o rastro de sangue deixado por um assassino cruel. O agressor entra na casa de suas vítimas na calada da noite e segue até o quarto delas. Mergulhadas em sono profundo, as mulheres ignoram que irão acordar para um terrível pesadelo… A precisão com que ele investe contra as mulheres , somada à crueldade de agressão – útero das vítimas é arrancado -, sugere que o responsável pelas atrocidades seja um médico psicopata. Os jornais de Boston passam então a chamá-lo de ‘O Cirurgião’. Em um livro de tirar o fôlego e com descrições minuciosas, a autora nos apresenta a um rico universo de personagens, ao criar um romance de suspense e profundidade inéditos.

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O Cirurgião foi o primeiro livro de Tess Gerritsen que li e fiquei impressionada com a riqueza de detalhes que a autora usa para descrever os atos do assassino e suas motivações, desbravando inclusive suas inspirações que dão vez à loucura.

A narrativa é boa e embora tenha muitos detalhes, não acho que que tenha ficado monótona em nenhum momento. A autora nos mostra os acontecimentos pelo ponto de vista dos detetives Jane Rizzoli e Moore; Ela, embora seja um boa policial, se deixa levar pelo preconceito por parte dos colegas, que muitas vezes acham que uma mulher não conseguiria fazer o trabalho de detetive; Rizzoli se deixa influenciar por isso e muitas vezes isso atrapalha seu julgamento.

Moore é um policial sério e comprometido com o trabalho. Ele respeita Rizzoli e os dois, embora se enfrentem de vez em quando, se dão bem e fazem um bom trabalho de equipe. Claro que Moore não é perfeito e falha algumas vezes.

Assim que eles começam a investigar as mortes, eles percebem semelhanças perturbadoras com um antigo caso, onde a última vítima matou o criminoso. Isso os leva a Doutora Catherine Cordell, que aos poucos parece ter o interesse do assassino. Muitos dos acontecimentos ocorrem no hospital onde Cordell trabalha, acompanhamos um pouco de sua da sua rotina e a autora até descreve com detalhes as cirurgias que são feitas pela doutora.

“O sentimento mais íntimo que as pessoas podem compartilhar não é amor nem ódio, mas a dor.”
― Tess GerritsenThe Surgeon

Acompanhamos os personagens, conhecemos suas crenças, seus medos, suas aflições. Entramos na pele dos detetives que precisam encontrar o culpado; Percebemos o quão corajosa é a médica ao se recusar a sentir medo de alguém que está aos poucos sufocando sua vida e conhecemos o assassino insano que retira o útero de suas vítimas, quase enxergamos sua loucura, intransigência.

Minha única ressalva fica pela detetive Rizzoli, eu esperava um desenvolvimento maior da personagem. Para mim ficou faltando algo, mas talvez isso se desenvolva nos outros  livros da autora. O cirurgião é um ótimo thriller e vale a pena conferir a escrita de Gerritsen, a riqueza de detalhes que ela traz e a profundidade que dá aos personagens.

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Resenha #27: Extraordinário – R. J. Palácio

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

Se existe uma palavra que possa definir este livro, ela realmente seria “Extraordinário”, não há como negar que o título foi escolhido de maneira impecável e não há exagero em seu uso.

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Sempre que inicio a leitura de um livro onde há um personagem com alguma limitação, seja ela física, emocional ou mental, tenho aquela velha sensação de que a pessoa ou vai se fazer de vítima ou vai se superar em alguma coisa, se você ficou chocado com isso, sinto muito, mas geralmente é isso que encontramos nesse tipo de enredo.

Extraordinário foi uma experiência diferente, nosso personagem principal, Auggie, não é apenas alguém que se supera ou que se evidencia apenas por ser ótimo em alguma coisa ou por ter superado sua limitação.

Claro que ele  enxerga o que as pessoas acham dele, afinal ele é um garotinho de dez anos, mas isso não o impede de ser ele mesmo.

Auggie nasceu com algumas algumas anomalias genéticas que lhe renderam, dentre outras coisas, uma má formação facial. Mas nada que impedisse August de ter uma personalidade incomparável, ele não é do tipo de pessoa que vê o lado positivo da vida a cada instante. Auggie tem a sensibilidade de se enxergar como realmente é, apenas um garoto comum.

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Sua família no entanto não o enxerga como “comum”, eles sabem que tipo de discriminação Auggie pode vir a sofrer e as vezes são super protetores com relação a isso. Via, sua irmã mais velha; O pai Nate e sua mãe, Isabel.

O fato de Auggie se considerar comum, enquanto que as outras pessoas o enxergam como especial foi o que me prendeu ao livro e me fez gostar tanto da história. Não há sequer uma cena que mostre Auggie se esforçando para superar a si mesmo ou ser melhor para compensar as anomalias. E é isso que o torna interessante, ele não se esforça para alcançar expectativas alheias, ele é e age como um garoto de dez anos comum.

Claro que Auggie é bem inteligente, mas ele não usa isso para mostrar que a inteligencia superou a má formação em seu rosto. Auggie se atenta as coisas que o fazem feliz, faz amizades que ele levará para o resto da vida e vive como qualquer um de nós.

Então você me pergunta: A aparência não incomoda o Auggie?

De certa maneira sim, por um bom tempo ele só saia na rua usando seu capacete de astronauta, mas a história do Auggie não é apenas sobre aparências físicas, é sobre amizade, caráter e humor, muito humor.

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Algo que me encanta muito nos personagens dos livros são as suas personalidades, Auggie é um grande presente, tem bom humor, alegria, tristeza, compaixão, ironia e uma delicadeza intensa ao tentar compreender o outro.

Extraordinário é uma leitura que todos deveríamos fazer.

O bônus especial nos aguarda em Novembro de 2017, quando será lançado o filme que reúne em seu elenco nomes de peso como: Julia Roberts, Owen Wilson e Jacob Tremblay. Segue o trailer para você conferir:

Não, o filme não será idêntico ao livro, apenas vendo o trailer é possível perceber algumas alterações, mas acredito que valha a pena dar uma chance ao filme porque a história é sim muito boa.

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Resenha #26: A Lista de Brett – Lori Nelson Spielman

Brett Bohlinger parece ter tudo na vida – um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança. Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.

Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe. Seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis. Com relutância. Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência.

Esse foi o primeiro livro de Lori Nelson Spielman que li e embora a premissa se pareça com algumas histórias que já li, A Lista de Brett foi uma bela surpresa. Logo no começo da história ficamos do lado de Brett, porque sua mãe que tanto a amava resolveu fazer isso com a filha? Brett a amava tanto e se pergunta a todo momento do porque; Mas acredite, a mãe de Brett foi genial, ela conhecia a filha como ninguém, conhecia o caráter das pessoas que cercavam Brett e suas intenções.

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A história vai se desenrolando e começamos a entender o porque da lista, que varia entre ter um cavalo e se apaixonar. E ao que parece a Brett adolescente parece mais esperta do que a Brett adulta.

Brett tem um namorado, Andrew, que pode não ser exatamente quem ela esperava, logo no início do livro percebemos que os dois não tem muito em comum, mesmo que Brett esteja certa de que sim, logo ela começa a questionar sua relação, afinal, um parceiro deve estar ali para lhe dar apoio e confiança, incentivar você a ir além.

Assim que recebe a lista do advogado Brad Midas, Brett é demitida (a pedido da mãe) e parece que sua vida está desmoronando a sua frente e ela não pode fazer nada a respeito, ela pensa em burlar as tarefas da lista, mas acaba se convencendo de que não tem outra alternativa, ela tem um ano para cumprir as metas listadas, uma por mês e o tempo está passando.

A cada item que Brett risca da lista, ela recebe uma carta escrita por sua mãe. Brad lê cada uma das cartas, a pedido da mãe de Brett; Ele é um ótimo personagem que de advogado evoluiu para amigo e quase fiel escudeiro, acompanhando e ajudando Brett a alcançar os itens da lista.

Conhecemos personagens como Sankita Bell, uma adolescente extremamente inteligente que está passando por uma gravidez de alto risco e que cativa Brett de maneira única. E o agradável Dr, Garrett Taylor, um psiquiatra muito interessante, com quem Brett conversa por telefone, mas que nunca consegue encontrar pessoalmente.

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A certo ponto do livro, depois que conhecemos Brett melhor, cumprir a lista em prol da herança, parece não importar mais, percebemos junto com ela que a herança financeira pode não ser tão grandiosa quanto o ano de aprendizado que ela está traçando.

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Perceber a libertação da personagem é uma das melhores coisas que esse livro trouxe. Brett deixa de pensar no dinheiro e começa a viver de verdade.

Em cada ação de Brett vemos sua mãe, personagem que não aparece, mas sua presença e genialidade marcam o livro e a vida de Brett. A jornada de redescoberta pode nos fazer olhar para nosso interior e questionar se os caminhos que tomamos com o passar dos anos é realmente aquele que queríamos, estamos realmente felizes ou apenas confortáveis?

Ouso sugerir que você dê uma olhadinha na sua lista de sonhos adolescentes e depois olhe ao redor. Você está onde queria? Fez o que queria? Acompanhe Brett e veja o que ela fez com a lista e talvez a jornada dela possa mostrar que a sua ainda não está completa também e que sempre é tempo para começar a ter a vida que você sonhou uma dia.

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See you, guys!!!

 

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Resenha #25: A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak

SINOPSE: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História.

Liesel está com a mãe e o irmão em uma viagem de trem, sua mãe é uma comunista e busca uma forma de manter os filhos em segurança para que não sofram com o conflito que se desenrola na Alemanha por volta de 1939. Liesel e os irmãos serão encaminhados para seus novos “pais”, Hans e Rosa Hubermann, no entanto durante o trajeto de trem seu irmão acaba falecendo e elas o enterram em um cemitério próximo.

Nossa narradora, ninguém menos que a própria morte por alguma razão desconhecida acaba se interessando por Liesel, uma menina atordoada com a morte do irmão, a separação da mãe e a situação geral que ela não consegue compreender acaba roubando “O Manual do Coveiro” enquanto observa o irmão ser enterrado no chão frio.

“Com um olho aberto, outro ainda no sonho, a roubadora de livros — também conhecida como Liesel Meminger — pôde ver, sem sombra de dúvida, que seu irmão caçula, Werner, estava caído de lado e morto.”

Liesel então segue viagem até encontrar os novos pais. Rosa, sua nova “mãe”, é dona de uma linguagem agressiva e extremamente imperativa, sempre está brigando ou reclamando de alguma coisa. O novo pai de Liesel, Hans, é um pintor com um coração imenso e generoso, ele também toca acordeão.

Rudy é um dos meninos que mora na casa ao lado, eles logo se tornam amigos. Rudy é uma das melhores pessoas, aquele tipo ingênuo que consegue enxergar a vida de maneira simples e verdadeira. Sinceramente acho que as pessoas deveriam ser um pouco mais como Rudy.

“Doido ou não, Rudy sempre esteve destinado a ser o melhor amigo de Liesel. Uma bolada de neve na cara é, com certeza, o começo perfeito de uma amizade duradoura.”

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A adaptação de Liesel a nova família não é fácil, primeiro porque acaba de perder o irmão e segundo porque acredita que foi abandonada pela mãe biológica. Liesel tem pesadelos quase todas as noites. Mas com paciência Hans começa a se aproximar da menina e a cativar seu coração. É ele quem ensina Liesel a ler e a escrever, “O Manual do Coveiro” é o primeiro de muitos livros que eles lerão juntos. Cada livro é uma forma de escapar da situação em que a Alemanha nazista se encontra e uma maneira de Liesel viver.

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Embora a situação seja difícil, Liesel tem uma infância quase normal, ela escuta o novo pai tocar acordeão, vai à escola e joga bola com os meninos na rua. Eles não têm muito dinheiro e Rosa lava roupas para complementar a renda. Uma de suas clientes é a mulher do prefeito, Ilsa Hermann, que por acaso (ou não), tem uma biblioteca maravilhosa. Ilsa vê Liesel pegar um dos livros proibidos que queimava na praça; Liesel fica com medo de receber uma punição, mas quando as duas se encontram ela permite que Liesel leia seus livros, desde que mantenha segredo. Liesel se depara com uma nova situação, quando seus pais abrigam Max, um judeu que precisa se esconder, um segredo maior que a menina e que pode coloca-los em perigo.

O livro é sensacional, não tenho outra palavra para descrever A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS que por vários motivos é um dos meus livros favoritos. Zusak nos traz uma visão totalmente nova sobre o tema nazismo, não só por usar A Morte como narradora isso com certeza chama um pouco a nossa atenção, mas por mostrar a vida de uma criança através dos acontecimentos terríveis de uma guerra, a inocência e a incompreensão que vemos através de Liesel é simples e ao mesmo tempo impactante.

Hans, que eu adoro, é o melhor tipo de pessoa e mesmo compreendendo a situação como um todo, ele consegue educar Liesel e mostrar o certo e o errado num mundo virado de cabeça para baixo; Impossível não amar alguém que consegue isso. Rosa é uma surpresa boa, até determinada parte do livro, eu ficava imaginando porque Hans tinha se casado com ela e a resposta veio, uma surpresa agradável.

Max Vandenburgé outro personagem genial, ele permite que Liesel enxergue a vida, e Liesel permite que ele veja o mundo através de seus olhos de criança; Sem nem saber, Liesel salva a vida de Max. Através dela percebemos mais uma vez que não vivemos apenas de pão. Rudy é um daqueles personagens que queremos levar para casa, é um amigo leal e corajoso.

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Leitura super recomendada, assim como o filme, que embora tenha algumas divergências com o livro, ficou ótimo. Uma ressalva para a intérprete de Liesel, que ficou perfeita.

Quando a Morte conta uma história,

você deve parar para ler.

Depois que li A Menina Que Roubava Livros fiquei me perguntando: Quantas vidas já foram salvas por livros? Quantas vidas, inspiradas por livros, salvaram alguém? Nem me arrisco a descobrir a resposta, me contento em ficar maravilhada com o pensamento apenas.

Lei também a resenha O Azarão outro sucesso do Markus Zusak.

Até mais!